“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
(Atos 2:42)
Estamos no início da Igreja Primitiva. Tudo era novo para os irmãos, considerando que tudo ou quase tudo relacionado com o judaísmo tinha se cumprido na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, e agora a igreja vivia um novo contexto. Não foi fácil para os judeus e até para os próprios discípulos, entenderem a interpretação dada por Jesus à Lei moral e espiritual que eles estavam acostumados a seguir ao longo de muitas gerações; mas agora, com a descida do Espírito Santo, eles começam a entender muitas coisas que não entendiam antes, como a lei do amor, interpretada por Jesus, a lei do perdão, que nos encosta na parede e diz que se não perdoarmos também não seremos perdoados e, confrontadamente a lei do sábado, à qual o Mestre dera uma interpretação completamente diferente daquela a que estavam acostumados.
A essa altura, isto é, no momento dos acontecimentos narrados no capítulo 2 de Atos, eles já se reuniam no primeiro dia da semana (domingo) em obediência ao mando do senhor e permaneciam reunidos durante toda a semana, louvando a Deus e recebendo a instrução da Palavra pregada pelos Apóstolos, agora, totalmente cheios do Espírito Santo.
A primeira atitude dos novos cristãos que chama a nossa atenção, é a perseverança. O texto começa dizendo que eles perseveravam na doutrina. Perseverar, como o contexto mesmo mostra, é conservar-se firme e constante, permanecer. A nova doutrina do Evangelho provocava muita controvérsia, muita discussão por parte dos fariseus e chefes da sinagoga, e por isso os crentes precisavam aprender cada vez mais, e permaneciam unidos todos os dias, no templo e de casa em casa, ouvindo os ensinamentos que Jesus havia deixado com os discípulos.
O texto destaca três coisas que doravante deveriam caracterizar a Igreja do Senhor:
a) A comunhão dos irmãos
b) A oração incessante
c) O partir do pão.
a) Esta comunhão a que o texto se refere, não diz respeito apenas à unidade no Espírito, porém é bem mais abrangente, pois essa unidade levava os crentes a terem tudo em comum, ninguém considerava nada unicamente seu, pelo contrário, tudo era de todos. Em virtude disso não havia necessitado entre eles, porque todos os bens e haveres eram distribuídos igualmente entre os irmãos. “Da multidão dos que creram eram um o coração e a alma (Atos 4:32 ).
b) Os judeus eram acostumados a longos períodos de oração, oravam três vezes ao dia - às nove horas, ao meio dia e às dezoito horas (ou seis horas da tarde), mas eram orações metódicas, decoradas, sem muito envolvimento pessoal. Ainda hoje os judeus praticantes fazem isso. Mas agora, os crentes oravam “em espírito”, como Jesus ensinara; era diferente! Eles oravam e a resposta vinha incontinente e milagrosamente. Haja vista o livramento de Pedro da prisão (Atos 12:5-19) . Assim sendo, a oração como base da pregação do evangelho e da vida cristã, passou a fazer parte da “doutrina dos Apóstolos”, não mais três vezes ao dia, mas, “sem cessar” (I Tessalonicenses 5:17).
c) “No partir do pão”. Esse “partir do pão” pode ter duas interpretações. Uma seria a literal, ou seja, uma menção à Ceia do Senhor, que tornou-se tão importante para os crentes daquela época que, juntamente com o batismo, era tida como ordenança, ou sacramento. Mas também pode significar que, depois da reunião no templo eles não queriam se separar, por isso se dirigiam, cada dia para casa de um irmão, e tomavam as refeições em conjunto, como dá a entender os versos 44, 46 e 47. A alegria era tanta que eles não conseguiam se separar, para não perder a comunhão. No primeiro dia da semana (domingo), estavam reunidos com o fim de “partir o pão” (celebrar a comunhão). No primeiro dia da semana, pelo fato de que era o dia em que eles comemoravam a ressurreição do Senhor Jesus Cristo, ocorrida no domingo.
E, “enquanto isso”, isto é, enquanto a igreja agia dessa maneira, “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” Será que não é isso que está faltando em nossas igrejas hoje? “Vida nova”? Uma igreja viva, não no sentido da concepção de hoje, animada, barulhenta, cheia de instrumentos e que passa uma hora cantando e gesticulando, mas uma igreja viva no sentido bíblico, onde haja comunhão sincera, amor sem fingimento, confiança mútua entre os irmãos, onde os cultos de oração sejam os mais concorridos, onde haja manifestação do poder de Deus, não em supostas curas, mas em conversão de almas.
Precisamos “resgatar” a doutrina dos apóstolos, voltar aos primórdios da igreja cristã, à comunhão dos “santos”, sem ostentação. Existem igrejas em que não se pode fazer reuniões de oração ou outras, em casa dos irmãos porque ninguém quer oferecer a casa! Motivo? Preocupação com o lanche, com a aparência da casa, etc. Em muitas igrejas os grupos de oração nos lares morreram por causas desses melindres! Isso jamais deveria acontecer na igreja de Deus, pois, na igreja primitiva, os crentes tinham tudo em comum.
Quem dera pudéssemos voltar àquele princípio!...
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