IGREJA PRESBITERIANA EBENÉZER
CONGREGAÇÃO DO VENCEDOR
OITENTA ANOS DE BÊNÇÃOS
Introdução:
"Eis que o semeador saiu a semear... uma parte da semente caiu em boa terra e deu fruto: uma a cem, outra a sessenta e outra a trinta."
Aqui está a prova eloqüente e inconteste da semente que produziu abundantemente. Indo para frente ou para trás, subindo às alturas ou descendo às profundidades, ninguém será capaz de desconhecer que “Ebenezer” é um marco, como as "pedras tiradas do Jordão... e ali estão até o dia de hoje." (Josué 4:9) . Ebenezer, cujo nome significa "Pedra de Auxílio", é um monumento de vitória erguido pelo Profeta Samuel para perpetuar à Israel as vitórias concedidas por Javé (I Samuel 7:12). Assim tem sido a nossa “Ebenézer” no alto sertão do Ceará.
Conta meu tio, Rev. Alcides Nogueira, em sua auto biografia , que meu bisavô Joaquim Cândido de Sena, que era católico praticante e amigo particular do pároco da Região Joaquim Ferreira Diniz, que certo dia, em conversa com o dito padre falou-lhe de sua crença de que, quando da eleição dos papas, o Espírito Santo pousava sobre a cabeça do eleito, daí sair aquela fumacinha pela janela; ao que o padre retrucou: “Nada disso, Joaquim, a coisa não é bem assim, pelo contrário, quando dois ou mais candidatos pleiteiam o cetro de Sumo Pontífice tem havido até luta sangrenta!” Esta informação chocou extremamente meu bisavô, a ponto de, decepcionado, procurar conhecer mais acerca da Igreja. Como tivesse bastante intimidade com o referido padre, certo dia, bisbilhotando em sua biblioteca, descobriu entre seus livros uma Bíblia, que passou a ler com a permissão do mesmo, tendo lhe sido oferecida mais tarde, pela irmã do sacerdote.(?)
Ao começar a ler as Escrituras ficou muito impressionado principalmente com o capítulo 20 de Êxodo, onde Deus condena veementemente a idolatria. Em face disso resolveu comprar uma Bíblia e passou a examiná-la cuidadosamente. Quanto mais lia a Bíblia mais descrente ficava do catolicismo romano, tendo inclusive deixado de venerar os “santos” de sua devoção, mas, como não conhecia ainda nada do Evangelho, continuou na Igreja Católica Romana. Aquela velha Bíblia, de tradução de Figueiredo, edição de 1857 ainda existe até hoje, já bastante deteriorada, sob a guarda de um dos netos residente no sítio Vencedor.
Anos mais tarde, chegava ao sítio Vencedor, de propriedade do meu
bisavô, um parente distante da família Sr. Antonio Leão, que era colportor e membro da Igreja Presbiteriana de Fortaleza, homem leigo porém muito versado nas Escrituras, que durante três dias falou ao meu bisavô sobre o plano da Redenção em Cristo Jesus. A semente caiu em boa terra, porque a essa altura meu bisavô já estava preparado para receber o Evangelho.
Joaquim Cândido converteu-se ao Senhor Jesus em 11 de janeiro de 19 05, fazendo sua pública Profissão de Fé e Batismo na Igreja Presbiteriana de Fortaleza, única igreja evangélica em todo o Estado do Ceará, na época. Oficiou a cerimônia o Rev. Dr. Reynold P. Baird, missionário americano, que pastoreava a igreja naquela ocasião, conforme consta da ata a seguir transcrita:
“Ata da Sessão da Igreja de Fortaleza. Aos 11 dias do mez de janeiro de 1905, logo antes do culto as 7 horas da noite reuniu-se a Sessão estando presentes o Pastor o Revdº Dr. R. P. Baird e o Presbytero o Snr. Candido Olegario Moreira. Foi aberta a Sessão com oração. O irmão Snr. Joaquim Candido de Sena foi examinado sobre a sua esperança de salvação mediante a fé em nosso Senhor Jesus Christo e tendo respondido satisfactoriamente foi admetido na communhão da Egreja e o seu nome foi arrolado. Encerrou-se a sessão com oração, seguindo-se immediatamente aos serviços divinos. (Assinados): R. P. Baird e Francisco Bomates - Secretário”.
Nota: Transcrição transliterada da ata
Joaquim Cândido era homem muito respeitado, tanto no seio da família como na sociedade, como cidadão íntegro e de boa reputação, tanto assim que, em 21 de fevereiro de 19 03 foi nomeado pelo Palácio da Presidência do Ceará, terceiro Suplente de Juiz Substituto do termo de Cachoeira, Comarca de Jaguaribe Mirim, conforme documento a seguir transcrito.
"Armas da República - O Dr. Pedro Augusto Borges, Tenente Coronel do Corpo de Saúde do Exército, Presidente do Estado do Ceará, etc. Nomeio o cidadão Joaquim Cândido de Senna para exercer o cargo de terceiro Suplente de Juiz Substituto do termo de Cachoeira, Comarca de Jagª Mirim. Palácio da Presidência do Ceará, Fortaleza, 21 de Fevereiro de 19 03. Ass. Dr. Pedro Augusto Borges e Antonio Sabino do Monte (Em baixo) Prestou o compromisso do Estillo. Jaguaribemirim, 19 de Maio de 19 03 - Ass. Escrivão do Geral - Candido Rodrigues Pinheiro. No verso do documento consta: Nº 502 - Rs.10.000 - Pagou Dez mil réis de emolumentos dos nºs 8 e 15 da tabela D do orçamento estadual vigente. Recebedoria do Ceará em 7 de Março de 19 03. Gonzaga (a seguir assinatura). - Registrado a fls. 122v e 123 do livro competente. Secretaria da Justiça, em 7 de Março de 19 03. Bezerra."
A família de Joaquim Cândido, embora abalada em sua fé , não se converteu logo ao Evangelho, mas permaneceu durante muito tempo ainda ligada à Igreja Católica Romana. Porém um incidente ocorrido após a sua morte em 1911, mudou completamente o destino da família. Contam nossos antepassados que, quando Joaquim Cândido faleceu, a família não conseguiu permissão para sepultá-lo no cemitério local, que era de propriedade da Igreja Católica Romana, porque meu bisavô era protestante, e, embora o pároco fosse amigo, não podia violar as leis da igreja. Naquela época, todos os cemitérios ficavam em terrenos da igreja católica, porque, quando construíam uma igreja já faziam o cemitério atrás. Dessa forma a família teve que carregar o defunto de um lado para outro, pelas cidades vizinhas em busca de um lugar para sepultar seu morto, sendo barrada em todas elas, pelo mesmo motivo. Diante disso, voltaram com o corpo para o sítio Vencedor, e num local apropriado cavaram uma sepultura onde descansam até hoje os restos mortais do pioneiro do Evangelho nessa Região. Desde essa época, aquele local foi reservado para cemitério da família e, de 1911 até 1997 já foram sepultados ali, só da família Nogueira, 47 membros.
Esse incidente causou uma grande decepção à família de meu bisavô, que a partir daí passou a repudiar a Igreja Católica Romana. Todavia, por falta de conhecimento do Evangelho, permaneceu ainda algum tempo sem religião, até que, anos mais tarde veio a receber a visita de um pastor protestante, o Rev. Natanael Cortez, que deu início a um trabalho evangélico ali, no sítio Vencedor, no dia 9 de agosto de 19 17.
Os oitenta anos, que hoje se comemora de trabalho evangélico nessa região, são a prova inconteste de que realmente, como a própria Escritura afirma, “o Evangelho é o poder de Deus”.
Conta-se que o Rev. Natanael Cortez, então pastor da Igreja Presbiteriana de Fortaleza, depois de ter percorrido cerca de 60 quilômetros a cavalo, debaixo de sol causticante, ao declinar da tarde, quando o sol já se punha por trás das serras cobertas pela mata nativa, cansado de longa viagem apeou ali, no sítio Vencedor, de propriedade de familiares de meu bisavô Joaquim Cândido de Sena. Depois das apresentações, para curiosidade e espanto de todos, especialmente de minhas tias avós, quando souberam que estavam recebendo em casa, um pastor protestante. Mas, o Rev. Natanael Cortez, com aquela calma que lhe era peculiar, conseguiu fazer com que os ânimos se acalmassem e tudo voltasse ao normal.
Após o jantar, o pastor pediu permissão para fazer um culto. Embora na época isso parecesse muito estranho para a família Nogueira, os desígnios de Deus se cumpriram e naquela noite minha família ouviu o Evangelho pela primeira vez O Rev. Natanael Cortez pregou seu primeiro sermão ali, baseado no Evangelho de João “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!”; depois, mesmo sozinho, com sua voz possante e afinada, cantou os hinos de nºs. 473, 490 e 148 dos Salmos e Hinos, respectivamente “Junto ao trono de Deus preparado”, “Meu pecado resgatado” e “É franca a porta divinal”. Havia 37 pessoas presentes naquele primeiro culto e em decorrência desse trabalho, pouco tempo depois, toda minha família se converteu. Hoje poderíamos dizer como certo filósofo:
"Muita coisa morreu dentro de nós e muita nasceu em nós
Montanhas de impropérios sobre nós desabaram
Oceanos de lágrimas nos lavaram as faces de alegria
E após esta tempestade cruel - a grande bonança...
Compreensão... Serenidade... Resignação...
Calma e Paz caíram sobre nós e a atmosfera do Nazareno
rodeava o nosso povo...”
O Rev. Natanael Cortez, de saudosa memória, poderia muito bem dizer: "Eu vos ví presos, ridículos, triviais, derrotados, dominados pela religião da ignorância e vos apresentei aquele que tinha poder para dizer: "Eu vim para que tenhais vida e vida em abundância", pois, "Se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres". “
I - Como Começou o Trabalho
Quatro anos depois daquele primeiro culto, o ponto de pregação em casa de meu bisavô foi transformado em Congregação da Igreja Presbiteriana de Fortaleza, sendo assistida, quase que exclusivamente, pelo Rev. Natanael Cortez, que se fez grande amigo da família Nogueira. Após oito anos , a Congregação foi organizada em Igreja, no dia 8 de dezembro de 19 29, pelo então Presbitério Ceará-Amazônia, fundado em 1920, sendo que, poucos dias antes tinha sido organizada também a Igreja Presbiteriana da Cidade de Cedro, em 4 de dezembro do mesmo ano. Num mesmo mês e ano o Presbitério Ceará-Amazônia fundou duas igrejas no interior do Ceará, fruto do incansável trabalho do Rev. Natanael Cortez.
II - Os Primeiros Convertidos
Os primeiros convertidos publicaram sua fé em Jesus no dia 21 de abril de 19 18. Foram eles:
- Francisco Xavier Nogueira de Sousa (meu avô)
- João Evangelista Nogueira de Sousa (1º Presbítero)
· Ana Nogueira
- Raimundo Nogueira
- Maria Firmina Nogueira de Sousa
- Belizário Nogueira de Queiroz ( 1º Diácono)
- Leotínia Nogueira
- Coleta Nogueira de Queiroz
- Cândida Nogueira de Queiroz
III - Organização da Congregação em Igreja
O Rev. Alcides Nogueira, primeiro pastor evangelista do Campo, foi autorizado a organizar a Congregação em Igreja, possivelmente juntamente com o Rev. Natanael Cortez. A igreja foi organizada com 114 membros comungantes e 95 menores.
Correção: Consta no livro de Atas que substituiu o primeiro livro extraviado, a data da organização da igreja 12 de dezembro de 19 29, com 112 membros maiores e 89 menores, mas no relatório pastoral do Rev. Natanael Cortez ao Presbitério, o qual tomou parte na organização da Igreja, consta a data certa, que foi 8 de dezembro de 19 29 e o número correto de membros, ou seja: 114 membros maiores e 95 menores.
Primeiro Conselho Eleito em 8/12/1929
· Laudelino Nogueira de Souza
· João Evangelista de Souza
· Antonio Joaquim de Lima Rola
Primeira Junta Diaconal Eleita em 8/12/1929
· Belizário Nogueira de Queiroz
· Joaquim Ferreira de Lima
IV - Por que a Construção no Sítio Carretão e Não no Vencedor?
Conforme depoimentos de pessoas da época, em virtude do crescimento do trabalho e sua rápida expansão pelas fazendas: Mangabeira, Santa Luzia, Massapé, Riacho Verde, Suçuarana, Olival e outras, os líderes da Igreja, de comum acordo, decidiram que a construção do templo deveria ser feita num local que ficasse mais central para todas essas fazendas, que na época era o sítio Carretão, de propriedade da família Ferreira. Segundo informações de fontes fidedignas, o templo foi construído no tempo em que era evangelista da Congregação o então seminarista Abel Castelo Branco, meu tio, de saudosa memória, o qual tinha sido designado pelo Presbitério Ceará-Amazônia, e assumiu o trabalho no dia 27 de janeiro de 19 24. Era domingo e a Congregação estava lotada. Possuidor de invejável oratória e vastos conhecimentos bíblicos, quando o evangelista Abel Castelo Branco terminou o sermão já havia ganho a simpatia de todo o rebanho.
Mas, lamentavelmente, por razões que só os desígnios de Deus podem explicar - "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus, quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!" - acometido de grave enfermidade a vida do evangelista Abel Castelo Branco foi ceifada prematuramente, deixando grande lacuna no trabalho da Congregação, sendo substituído pelo Presbítero Antônio Joaquim de Lima Rola.
A obra da construção do templo foi feita pelos próprios irmãos da igreja. O lançamento da pedra fundamental ocorreu em 12 de outubro de 19 25 e o término da construção, em 1928. Como costumava dizer meu tio, Belizário Nogueira de Queiroz, era comum se encontrar, à tarde, grupos de mulheres carregando tijolos na cabeça, enquanto os homens trabalhavam na obra de alvenaria. O irmão Belizário Ferreira de Almeida, dono da Fazenda Massapé, sendo um dos mais abonados na época, prontificou-se a financiar tudo o que dependesse de dinheiro: pregos ferrolhos, dobradiças, fechaduras, etc., já que os tijolos, telhas, etc. eram fabricados pelos próprios irmãos e a madeira era retirada da mata. Sua esposa D. Laurinda, juntamente com outras irmãs, costumavam levar a "merenda" dos trabalhadores. Assim, com a cooperação de todos, eles construíram o templo que está lá, até o dia de hoje, como marco de fé, de unidade, de dedicação à obra de Deus.
Igreja Presbiteriana de Ebenezer, de grandes feitos, de grandes vitórias, que já deu à Igreja Presbiteriana do Brasil grandes homens - Pastores, Presbíteros, Diáconos e membros. Cinco gerações já se passaram de crentes fiéis e dedicados à obra do Senhor, todos frutos daquela pequenina semente plantada um dia no sítio Vencedor.
V - Pastores que já passaram pela Igreja Presbiteriana Ebenezer
Da relação a seguir, alguns foram pastores efetivos, outros evangelistas e outros ainda passaram apenas como visitantes:
· Rev. Natanael Cortez (Fundador)
· Rev. Sebastião Gomes Machado
· Rev. Antonio Teixeira Gueiros
· Rev. Raimundo Bezerra Lima
· Rev. Antonio Pereira
· Rev. Alcides Nogueira (1º Pastor Evangelista da Igreja)
· Rev. Ageu Lídio Pinto
· Rev. Bolivar Bandeira
· Rev. Abel Siqueira
· Rev. João Francisco de Sales (visitante, da Missão Norte do Brasil)
· Rev. João Campos
· Rev. Enéias Lins
· Rev. Antonio Alves da Silva
· Rev. Francisco José de Carvalho
· Rev. Élio Nogueira Castelo Branco (visitante, filho da Igreja)
· Rev. Levi Nogueira de Freitas
· Rev. José Hercílio
· Rev. Helnir Cortez
· Rev. Othoniel da Silva Martins
· Rev. Elgio Bezerra da Silva
· Rev. José Silon Menezes
· Rev. Abimael Prado de Araújo
· Rev, Joel Soares da Silva
· Rev. José Batista
· Rev. Raimundo Vieira Rosa
· Rev. Benedito Mattos (visitante, da Missão Norte do Brasil)
· Rev. Valmir Soares da Silva
· Rev. José Barbosa Neto
· Rev. Josué Batista dos Santos (Pastor atual)
VI - Evangelistas e colaboradores que aqui trabalharam
· Abel Castelo Branco ( 1º Evangelista)
· Antonio de Lima Rola Ferreira ( um dos primeiros presbíteros)
· Antônio Pereira (posteriormente ordenado pastor)
· Laudelino Nogueira de Souza (um dos primeiros presbíteros)
· José Pedro (colaborador - eleito presbítero mas não ordenado)
· Valdemar Castelo Branco (colaborador)
· José Balbino da Silva (colaborador)
· Moisés Nogueira de Freitas
· Inocêncio ...
· Narciso Baltazar (herói de fé, de perseverança, amor e fidelidade. Uma
relíquia da Igreja atual).
Estes homens simples, nas mãos de Deus, tinham em comum uma mesma mensagem - apresentavam o Cristo que entrava no coração do pecador sem muitas explicações. Que abre novos caminhos sem a ninguém prejudicar, que carrega nossos fardos sem gemidos. Que obedece ao Pai sem perguntar por que. E como um raio de luz convive com meretrizes e pecadores imundos e do meio deles sai tão puro como entrou. Esta era a mensagem desses nobres evangelistas, valorosos e fiéis servos de Deus.
O irmão Narciso Baltzar, com 95 anos de idade, ainda anda a cavalo, à pé, de caminhão, de carro ou de qualquer outro meio de transporte para pregar o Evangelho. Homem simples, crente fiel, evangelista inato, amado e abençoado até na longevidade. É um autêntico “homem de Deus”!
VII - Pastores da Família Nogueira
· Rev. Alcides Nogueira (1º Pastor da Igreja)
· Rev. Élio Nogueira Castelo Brancos (filho da Igreja-42 anos de
ministério, ainda na ativa)
· Rev. Edilson Nogueira Castelo Branco (filho da Igreja, ainda na ativa)
· Rev. Nhemias Castelo Branco (sobrinho, já falecido)
· Rev. Folton Nogueira da Silva (neto, na ativa, Diretor do JMC)
· Rev. Edilson Botelho Nogueira (neto)
· Teologando Ageu Júnior (neto)
· Valter Nogueira Magalhães (neto)
· Valton Nogueira Magalhães (neto)
Obs.- Os dois últimos não pertencem à Igreja Presbiteriana; são pastores autônomos,
filhos da Zilene, netos do tio Fenelon..
Seria humanamente impossível enumerar os oficiais presbíteros e diáconos saídos de Ebenezer e assim, se não digo o que não sei, pelo menos não farei injustiça. Ao invés de cometer enganos, prefiro calar-me diante dos grandes heróis que são e que foram.
XIII - A Igreja Presbiteriana Ebenezer nos dias atuais
Rol de Membros Atual
Membro comungantes - 43
Membros não comungantes - 24
SAF - 24 sócias
UPH - 18 sócios
IX - Memória dos Pioneiros Glorificados em Cristo
· Joaquim Cândido de Sena (primícia)
· João Evangelista de Souza (1º Presbítero)
· Raimundo Nogueira de Queiroz
· Francisco Nogueira Xavier de Souza
· Belizário Nogueira de Queiroz (Eleito Presbítero mais tarde – (não consta a data da sua eleição)
· Maria Nogueira de Queiroz
· Coleta Nogueira de Queiroz
· Cândida Nogueira de Queiroz
· Antônio de Lima Rola Ferreira
· Francisco Baltazar Ferreira
· Belizário Ferreira de Almeida
· Joaquim Queiroz
· Militino Nogueira
· Henrique Esteves
· Ezequiel Ferreira Lima
Dos pioneiros acima mencionados, destacamos a figura do irmão João Evangelista de Souza, um dos primeiros presbíteros, que faleceu vitimado por incontrolavel crise de asma. Esse irmão deu um testemunho muito bonito na sua morte, pois, embora em meio a tremenda agonia por causa da falta de ar, consolava os familiares com textos bíblicos e palavras que, anotadas por um genro, sr. Emanuel Pinheiro Maia, foram, após a sua morte, transformadas em um hino que foi musicado por Penha Ramos. A letra do hino é a seguinte:
“Tenho que partir, irei pra Jesus
Sua face ver, no reino da luz
Coro
Já me espera Deus: Não devo tardar! (*)
Quero ver Jesus , e em Sião, morar!
Não deveis por mim, oh! Irmãos chorar,
Às bodas irei, com Jesus gozar!
Dos irmãos aqui, vou me apartar (**)
Mas todos alí, eu hei de encontrar!
Obs.- No original (*) “Me espera Deus”,
e (**) “Tenho que me apartar”
Além desses, houve outros, cujos nomes estão no Livro da Vida, mas que a memória não me ajuda a lembra-los.
Meus amados irmãos, faço minhas as palavras do Rev. Natanael Cortez, o pai espiritual de Ebenezer, que disse certa vez: ”Segui o exemplo desses homens heróis. Homenageai a sua memória. Repeti os seus feitos de bravura, de coragem, de trabalho, de dignidade, de fidelidade, de fé, de amor, de perseverança.” Estas testemunhas nos rodeiam (Hebreus 12:1).
Nesta data magna, irmãos, não podemos deixar de fazer uma menção justa sincera, honrosa, à memória desses varões de Deus: Rev. Natanael Cortez, seu fundador e mantenedor por muito tempo , homem escolhido por Deus para este trabalho; Evangelista Abel Castelo Branco, homem comum com visão de profeta e disposição de predestinado; Presbítero Laudelino Nogueira de Souza, com vocação de embaixador incansável de Deus, escolhido, chamado e usado; e, Presbítero Belizário Nogueira de Queiroz, manso como um cordeiro, conselheiro ímpar, forte no corpo, vigoroso na fé, sábio no falar, homem de Deus.
Estes homens de Deus foram como:
A centelha de luz nas densas trevas da ignorância daquela época.
Cânticos de júbilo para as almas enganadas, sem esperança, sem Deus, perdidas neste mundo tenebroso.
Testemunhas de pureza para os que andavam nos pantanais dos abismos, no “poço da perdição, no tremedal de lama” (Salmo 40:2).
Corria o ano de 1927, quando nosso transporte era ainda a cavalo, época em que era comum as caravanas dos irmãos acompanharem o pastor na disseminação do Evangelho pelas fazendas vizinhas. Aquelas caravanas levaram o Rev. Natanael Cortez a compor o hino tão cantado pelos irmãos na época – “A Sagrada Peleja”. Enquanto iam cavalgando, cantavam a todo o pulmão pelas estradas, quer na subida ou na decida a voz era a mesma;
“ Disseminai a Santa Bíblia, agora,
Assim Jesus requer que vós luteis,
Seguindo a trilha dos heróis de outrora,
Vitória certa por Jesus tereis
Côro
Marchar, avante, no ideal unidos!
Soldados, vós, de Cristo, sois, irmãos
De Deus amados, pela fé remidos,
Eia à peleja dos fiéis cristãos. “
Foi como se uma gotinha cristalina do amor de Deus caísse sobre uma família ou, um raio da mais pura luz do evangelho caísse sobre aquela fazenda , restaurando o solo, não da terra, mas dos corações, e fizesse crescer os pastos verdejantes da Palavra de Deus tão rapidamente e sem cessar nestes oitenta anos que se foram. E este amor tão profundo como o mar, tão alto como o céu, e eterno como o próprio Deus, inundou os corações daqueles pioneiros, que saíram ‘gemendo e chorando” enquanto semeavam, certos de que: “os que semeiam em lágrimas, com júbilo ceifarão”.
Aqueles heróis já se foram. Deus já os chamou e os recompensou com a coroa da vida, mas, nem mesmo o tempo conseguiu apagar as verdades que deles ouvimos e aprendemos; nem o testemunho desses homens empalideceu com o perpassar dos anos, porque foram gravados no coração e na alma dos crentes de Ebenezer. Porque há no coração do crente o desejo de desvelar a Palavra de Deus, de derramar a própria alma em oração, de abrir o coração para o amor às almas perdidas e por essas almas gemer como o Espírito Santo e prantear como Jeremias , clamando ao Senhor pela salvação dos pecadores Perdidos.
Nunca deixemos de falar do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, tema do primeiro sermão aqui pregado, porque nada nem ninguém nos fará esquecer:
· Do Filho de Maria na manjedoura de Belém
· Do sofrimento do Filho do Homem, no jardim do Getsêmani
· Do impiedoso, truculento e ímpio julgamento de Pilatos
· Da coroa de espinhos que lhe deram por direito
· Do Cordeiro de Deus imolado na cruz por nós (Pai, se possível passa de mim...”
· Da grande verdade proclamada pelo próprio Jesus: “Pai, está consumado!...”
Oh! Irmãos, o amor de Jesus! – Maravilha das maravilhas! Não podemos compreender agora, mas quão grande glória será por toda a eternidade cantar esse amor!
E que todos nos preparemos para podermos cantar naquele dia: “Junto ao trono de Deus, preparado, há cristão um lugar para ti!”
EBENÉZER!
1917 – 1997
Em 26 de julho de 1997
Rev. Élio Nogueira Castelo Branco
Nota explicativa: O culto de ação de graças em comemoração aos oitenta anos do início do trabalho no Sítio Vencedor, foi realizado no dia 26 de julho de 1997 , e não na data mesma da organização (8-12-1929), por motivos especiais. O culto foi realizado na Congregação do Vencedor, e não na Igreja do Carretão, em virtude do trabalho ter na nascido alí.
Foto do documento de nomeação de Joaquim Candido de Sena no cargo de terceiro Suplente de Juiz Substituto do termo de Cachoeira, Comarca de Jaguaribe-Mirim.)
Fontes informativas:
· Notas do Rev. Natanael Cortez (Fundador)
· Notas do Rev Alcides Nogueira (pastor evangelista)
· Livro de Atas do Presbitério Ceará-Amazônia 1929-1930
· Documentos do meu bisavô encontrados no sítio Vencedor
· Hino do João Evangelista Nogueira de Souza, cedido pelo Presbítero Dr. Airton Nogueira Maia.
· Pesquisa e organização do Histórico: Rev. Élio Nogueira Castelo Branco
· Digitação: Zélia Botelho Nogueira, esposa do Rev. Élio Nogueira Castelo Branco
(Reorganizado em setembro de 2010)